Perspectivas Educacionais: A Curvatura da Vara?

Leonides Pereira de Souza Guimarães
Professora/coordenadora do Ensino Fundamental 1ª fase na E.E.F.A.A


Toda a prática pedagógica deve contemplar o pleno desenvolvimento do estudante. Para realizar tal feito, o professor precisa constantemente se questionar a respeito da qualidade das aulas por eles ministradas.
Neste sentido, acompanhar o conteúdo programático se constitui em tarefa dupla: a análise dos conteúdos a serem trabalhados e posteriormente, o diagnóstico da situação de aprendizagem dos alunos.
Estas ações articuladas aos ideais democráticos educacionais vivenciados nas últimas décadas pela instituição escolar servem de eixo norteador para as contextualizações das situações de aprendizagem agregadas contexto a ser problematizado.
Quando se fala em “contexto”, entende-se que a educação encontra sua eficiência na materialização do objeto de aprendizagem. Sob esta ótica, compreende-se que as atividades a serem desenvolvidas nas unidades escolares precisam ser significativas estabelecendo co-relação com as práticas sociais reais.
Neste sentido, os educadores são convidados a refletirem sobre a organização sistemática de seu trabalho priorizando não somente o livro didático e o quadro negro_ embora mantenham uma relação mais próxima entre professor e aluno_ não possuem uma finalidade em si, mas um complemento nas atividades direcionadas a produção do conhecimento.
A construção do homem novo, considerando suas necessidades pedagógicas, requer dos educadores novos métodos e técnicas de ensino, organização do espaço escolar, reutilização de recursos didáticos e tecnológicos e envolvimento de ambas as partes.

A educação voltada para este novo homem transcende ao aspecto “leitura e escrita”. Ela encontra-se relacionada à motivação, construção de novas linguagens _ presentes na internet, nos vídeos, músicas e outros. Ler, já não se trata de decodificar sinais, mas interpretar situações, resolver problemas e confrontar a realidade.
A escola já não se apresenta como o único espaço de aprendizagem ela se articula ao mundo real convivendo com o velho e o novo. Sob esta ótica de inovação e organização, o espaço escolar sofre uma variedade de transformações, dentre elas, a agregação das tecnologias como objetos de aprendizagem dividindo o mesmo espaço com os velhos equipamentos didáticos (álbum seriado, cartazes, flanelógrafos, varal didático, histórias em quadrinhos, murais, gravuras e outros) tão essenciais à educação.
Entretanto, estes meios, não devem ser concebidos por educadores e alunos como solução para todos os problemas de aprendizagem, mas elementos tecnológicos que enriquecem a prática pedagógica representando uma oportunidade de aprendizagem.
Sob esta ótica de inovação, a organização do ambiente também se constitui uma alternativa viável por permitir que o aluno acesse livremente as salas de aula e o material didático, tornando-o também responsável por sua aprendizagem, pois entrar em uma sala de aula repleta de informações e recordações é mais interessante do que entrar em uma sala de aula vazia.
Assim, a reorganização do espaço escolar deve considerar o nível de desenvolvimento dos estudantes, a estrutura da escola, os recursos disponíveis. A capacitação do educador, nesta perspectiva, deve abranger a abertura a novas aprendizagens, as quais consistem em reaprender o que já aprendeu.
Entende-se, sobremodo, que o espaço escolar priorize atividades reflexivas cuja depuração consiste em pensar com propriedade o pensamento. Em termos de assimilação destas mudanças nos modelos de ensino é visível a possibilidade de haver uma “envergadura da vara”, que converge em uma mudança de comportamento que se segue em oposto ao automatismo do processo de ensino e aprendizagem.
Acrescente-se a esta colocação, que professores, funcionários e demais colaboradores, devem atuar na unidade escolar de modo a propiciar uma abordagem pedagógica qualitativa contribuindo para uma educação emancipadora que encaminhe o estudante para autonomia pessoal e intelectual.

Bibliografias:

BETTO, Frei. Paulo Freire: A leitura do mundo. In: PROFA- Programa de Formação de Professores Alfabetizadores: módulo 2. [S.l], 2002. p. 1-3.
COLELLO, Silvia M. Gasparian. Alfabetização e Letramento:Repensando o Ensino da Língua Escrita. Disponível em: <http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&q=COLELLO%2C+Silvia+M.+Gasparian.+Alfabetiza%C3%A7%C3%A3o+e+Letramento%3A&meta=&aq=f&oq>. Acessado em 06 abr. 2010.

DELLORS, Jacques. Os quatro pilares da educação. 1999. Disponível em: <http://4pilares.net/text-cont/delors-pilares.htm#Aprender%20a%20conhecer>.
Acesso em: 14 abr. 2010
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: sobre saberes necessários à prática educativa. 29. Ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
SAVIANI, Dermeval. Escola e democracia.


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